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Entrevista com o Alto Sacerdote da Igreja de Satã Peter Gilmore



Peter Gilmore
Nos anos 80 e 90 aconteceram múltiplas alegações de abuso de crianças ou adultos forçados no âmbito de rituais satânicos que vieram a ser conhecidos como o Pânico Satânico. Nos Estados Unidos, os casos de abuso de crianças no Condado de Kern, o julgamento do caso da pré-escola McMartin e o caso dos “’3 de West Memphis” angariaram cobertura mundial da mídia. Um caso aconteceu em Jordan, Minnesota, quando crianças fizeram alegações de produção de pornografia infantil, sacrifício animal ritualístico, coprofagia, urofagia e infanticídio, levando o Escritório Federal de Investigação(FBI) a ser alertado. Vinte e quatro adultos foram presos e acusados formalmente de abuso sexual, pornografia infantil e outros crimes relacionados a abuso em rituais satânicos; apenas três foram a julgamento com duas absolvições e uma condenação. O Juiz da Suprema Corte Scalia notou em uma discussão do caso, “não há dúvida de que algum abuso sexual teve lugar em Jordan, mas não existe razão para acreditar que foi tão disseminado quanto as acusações” e citou as repetidas técnicas coercitivas usadas pelos investigadores como nocivas à investigação.

Uma das mais visíveis organizações satânicas—embora nunca tenha sido suspeita ou acusada dos casos do Pânico Satânico—é a  Igreja de Satã(N.T.: Church Of Satan, em inglês), fundada por Anton LaVey. Membros da Igreja, como Peter H. Gilmore, Peggy Nadramia, Boyd Rice, Adam Parfrey, Diabolos Rex e o músico King Diamond foram ativos em aparições na mídia para negar as alegações de atividade criminosa e o FBI  depois publicou um relatório oficial desacreditando as teorias de conspiração criminosa dessa época.

Gilmore sente que satanistas são freqüentemente mal-entendidos ou mal-representados. Os ensinamentos de LaVey são baseados em individualismo, auto-indulgência e moralidade “olho por olho”, com influência de Friedrich Nietzsche e Ayn Rand, enquanto seus rituais e magia utilizam muito de ocultistas como Aleister Crowley. Eles não adoram, ou acreditam, no Diabo ou em uma noção cristã de Satã. A palavra “Satã” vem da palavra hebraica para “adversário” e se originou das crenças abraâmicas, sendo tradicionalmente aplicada a um anjo. Os adeptos da Igreja de Satã se vêem como buscadores da verdade, adversários e céticos em relação ao mundo que os cerca.

Em um dia em que ventava no Central Park, o repórter da Wikinews David Shankbone se sentou com o Alto Sacerdote da Igreja, Peter H. Gilmore, que tem liderado a congregação de LaVey desde seu falecimento em 1997(ele se tornou Alto Sacerdote em 2001). Eles discutiram as crenças da Igreja, eventos atuais, os filhos de LaVey e como o Satanismo se aplica à vida e ao mundo.

Satanismo Teísta (‘adoração ao Diabo’)

David Shankbone: Qual é sua relação com o Satanismo Teísta?

Peter H. Gilmore: Nós não achamos que eles são satanistas. Eles são adoradores do Diabo, pelo que sei..

DS: Existe uma em Nova York que faz muitos websites.

PG: Diane Vera? Ela é uma lunática.
(Nota do Tradutor: a palavra lunática foi usada como tradução aproximada para kook, que é uma expressão coloquial pejorativa do inglês dos EUA para uma pessoa que segue fanaticamente uma crença que seus contemporâneos acham falsa ou errada)

DS: Ela também é uma editora na Wikipedia. Eu a contatei, mas nunca recebi uma resposta.

PG: Eu realmente sinto que qualquer pessoa que acredite em entidades sobrenaturais em algum nível é insana. Acreditando no Diabo ou em Deus, eles estão abdicando da razão. Se eles realmente acreditam que estão em comunicação com algum tipo de entidade intervencionista... você sabe, alguém pode ser um deísta e achar que talvez exista algum tipo de força que lançou tudo e agora não tem nada a ver com isso. Isso não é algo que você pode provar. Não é uma questão de fé. É uma questão de fazer uma escolha entre se existiu algo ou não existiu. Eu acho que talvez seja a decisão mais racional. Eu acho que a ciência mostra isso de outro jeito, mas não acho que alguém assim é louco. Mas qualquer um que acredita em algum tipo de existência de entidade ou espíritos ou qualquer coisa que intervêm em suas vidas não é alguém por quem eu possa ter qualquer tipo de estima.

DS: Você teve muita interação com os satanistas teístas?

PG: Não, eu tenho completo desprezo por eles e não tenho mesmo nenhum contato com eles. Se alguém me contata e diz que é um satanista teísta nós dizemos para ele se mandar. [risos]

DS: Você sabe o que eles pensam de você?

PG: Não tenho idéia  e não poderia me importar. Eu considero isso lunático e é cristão. Se você quer acreditar em um diabo existente então você provavelmente acredita em um Deus existente e você é provavelmente apenas um herege cristão, você não é um satanista.

DS: O que você acredita que é a motivação deles para adorar um Satã cristão?

PG: Eu realmente não poderia saber. Eu teria que falar com eles, mas minha suposição seria de que eles querem se sentir malvados em algum nível. Se eles realmente acreditam nessas divindades existentes, então eles têm que decidir quais são seus valores. Os gnósticos pensavam que Jeová era mau, o demiurgo, e que o verdadeiro Deus era alguma coisa mais em contato com o que eles achavam que a humanidade deveria ser. Então, talvez essas pessoas pensem que Jeová é mau e Satã é bom. Eu apenas acho que é igualmente tolo se você acredita em um Coelhinho da Páscoa ou Zeus....é apenas...irracional.

Básico sobre a Igreja de Satã

David Shankbone: Como você definiria a palavra Satã?

Peter Gilmore: Satã é um modelo ou um modo de comportamento. Satã em hebraico significa “adversário”’ ou “opositor”, aquele que questiona. Como somos geralmente ateus céticos, questionamos toda a espiritualidade. Acreditamos que a carnalidade é tudo o que existe e as dimensões espirituais são ficcionais. Então nós nos posicionamos contra religiões orientais e ocidentais que promovem ficções, de acordo com nossas perspectivas. Então somos adversários. Satã para nós é um exemplo. Quando nós olhamos para como ele é retratado por Mark Twain em Lethers From the Earth, ou Byron, ou Paraíso Perdido de Milton, ele acaba sendo um símbolo inspirador para nós. Nós dizemos que gostaríamos de ser mais como ele. Nós não baixaremos nossas cabeças, seremos independentes. Nós questionaremos constantemente.

DS: O que é a Igreja de Satã?

PG: Satanismo começa com ateísmo. Começamos com o universo e dizemos: “É indiferente. Não há nenhum Deus, não há nenhum Diabo. Ninguém se importa!” Então você tem que tomar a decisão que coloca você no centro de seu próprio universo subjetivo, por que com certeza não podemos ter qualquer tipo de contato objetivo com qualquer coisa que exista. É um tanto arrogante e ilusório, as pessoas tentarem colocar as coisas dessa maneira. Então fazendo de si mesmo o primeiro valor em sua vida, você é seu próprio Deus. Sendo seu Deus, você está confortável em tomar suas próprias decisões, o que valorizar. O que é positivo para você é o bem. O que faz mal a você é o mal. Você estende isso para coisas que você aprecia e as pessoas que você aprecia. Então, é de fato muito fácil ver que essa é uma filosofia auto-centrada.

Mas isso também requer responsabilidade, já que está tomando para você mesmo o completo ônus por seu sucesso ou falha. Você não pode rezar para um Deus ou culpar um diabo, ou qualquer outra pessoa, por causa disso, pelo que aconteça a você. É sua própria cabeça. Isso é um desafio para a maioria das pessoas. A maioria das pessoas tende a realmente sentir que precisa de algum tipo de apoio externo, que elas estão olhando para fora e poderiam precisar de algum tipo de figura paterna sobrenatural, ou mesmo algum tipo de autoridade sobrenatural existente, existindo em suas vidas.

DS: Por que você acha que as pessoas são assim?

PG: Eu acho que existem de fato dois tipos de pessoas. Existe o tipo de pessoa que precisa disso e existe o tipo que não precisa. O tipo que não precisa é a menor porcentagem de nossa espécie. É simples assim.

DS: Por que você pensa que existem aqueles que precisam ter um Deus ou uma figura paterna sobrenatural?

PG: Isso é natural para eles. Eu não acho que é algo desenvolvimental, mas algo que apenas é parte de sua própria natureza. Que eles sentem necessidade por algo acima deles, seja isso humano ou sobrenatural. E eles não podem fugir disso.

DS: Na história de várias religiões, uma doutrina foi desenvolvida por pessoas que eram oprimidas como uma maneira de explicar seu destino, e que seus opressores estavam a caminho de “levar o seu no final.” Karl Marx dizia que a religião é o ópio das massas, por que isso cria complacência com a opressão agora por que em alguma dimensão etérea a igualdade será alcançada.

PG: Bem, nós vemos que a idéia de “Deus” vem dos opressores, e isso é uma maneira de controlar pessoas, dizendo, “Eu tenho comunicação com essa figura de autoridade mas você não pode. Sou especial.” É onde entram os cleros, mas também autoridades governamentais e partidos, vamos dizer o Partido Comunista ou o Partido Nazista em certo momento. Eles têm a chave para a maneira que o universo devia existir, e todos precisam ser subservientes a eles e pegar o que eles dizem como escritura sagrada, mesmo que eles de fato não estejam proclamando isso como divino ou não. É por isso que tantos desses sistemas fascistas e totalitários funcionam como religiões, por que eles colocam os líderes e o que quer que tenham escrito como algum tipo de autoridade escritural que não é cogitada de ser debatida ou examinada, mas simplesmente engolida inteira.
Agora algumas pessoas podem aparecer com uma crença religiosa que pode se opor ao um sistema existente que vai ajudá-las a se sentirem melhor com seu status desfavorável, e então algumas vezes isso se desenvolve como uma  grande religião e algumas vezes não. Algumas vezes é esmagado e extinto. Isso é natural para nossa espécie, que as pessoas têm que achar uma maneira de lidar com sua existência.
Satanistas, nós olhamos para nossa existência e dizemos, “Não vamos olhar para algo fora de nós. Vamos ser proativos.” Vamos lá fora e tentar fazer uma mudança, e vamos lidar pragmaticamente com quaisquer situações de vida que tenhamos. Então o satanista, não importa onde ele esteja vivendo e sobre quais condições, vai tentar achar uma maneira de fazer sua vida tão boa quanto ela possa ser baseado em suas próprias habilidades e no mundo que o cerca. Não esperamos que ninguém no Satanismo seja um gênio, nós esperamos que as pessoas peguem o que quer que tenham por natureza, e façam o melhor com isso. Então nesse sentido, nós desafiamos as pessoas que são nossos membros. O único idealismo que temos é direcionado a nós mesmos. Nós tentamos olhar para nós mesmos e tentamos pensar o que nosso potencial possivelmente poderia ser, que talentos nós temos. E então nós tentamos pegá-los, através de qualquer trabalho que seja necessário, para levá-los tão longe quanto consigamos.

DS: Qual seria sua motivação para fazer algo pela sociedade e não por eles mesmos? Existiria mesmo uma motivação?

PG: Oh, absolutamente! É com você escolher suas próprias preferências. Sendo auto-centrado, você pode selecionar seus próprios valores.

DS: Como eu valorizar o que estou fazendo para a Wikimedia, mesmo sendo de graça, existe ainda um valor...

PG: Absolutamente! O que você está fazendo, David, é um exemplo satânico. O ponto saudável do Satanismo é novamente escolher seus valores, e se você se tornar alguém que realmente sente que deve trabalhar em hospitais de graça — diversos membros nossos trabalham para organizações animais por que nós geralmente apreciamos animais e achamos que eles são muito menos poluídos que pessoas com valores que são contra suas naturezas. Então, satanistas são freqüentemente muito generosos.
Porque nossos valores vem do eu, pessoas que tentam dizer a si mesmas que devem ser altruístas não podem realmente entender por que você seria generoso se você é uma pessoa egoísta. Mas eu acho que isso é mais uma revelação de suas próprias naturezas, significando que se eles não tivessem alguma força externa fazendo-os ser amáveis, eles seriam bastardos! Nós satanistas, por que estamos relaxados, amamos nossas vidas, amamos pessoas que enriquecem nossas vidas e coisas que estão à nossa volta de que gostamos, podemos ser realmente generosos. Deuses podem ser benéficos! Então quando você é seu próprio Deus, você pode ser feliz doando!

DS: Como um satanista define o mal?

PG: O mal é qualquer coisa danosa à você e às coisas que você aprecia. É simples assim.

DS: Algumas pessoas têm uma compulsão em estuprar, e as fere não agir assim. Se é danoso a uma pessoa não sair e estuprar alguém, como um Satanista trataria dessa situação?

PG: Nós teríamos que ir para o campo da sociedade, e nós acreditamos que como animais que são sociais, nós temos um contrato social. Quando lidamos com outra pessoa, nossa abordagem é de que nós queremos máxima liberdade e máxima responsabilidade sem impor a outras pessoas tanto quanto possível. Então, nós estabeleceríamos leis de jeito que realmente não tenhamos que gastar todo nosso tempo defendendo nosso território, estando em algum tipo de situação de alguém defendendo um castelo. Então, qualquer um que vai sair e atacar pessoas que não merecem, é alguém que nós consideraríamos um criminoso e o trancaríamos ou lidaríamos com ele de qualquer maneira que parecesse mais apropriada, fosse isso terapia, fosse isso drogas, ou se eles não podem controlar a si mesmos, execução.

DS: Pena capital não é antitética ao Satanismo?

PG: Não necessariamente, mas essencialmente nós preferiríamos evitar que o governo tivesse o poder de pegar você e te matar, por que nós não temos muita confiança que as pessoas sejam racionais, ou sejam honestas, e temos visto muito freqüentemente—especialmente com teste de DNA—que muitas pessoas tem sido presas e acusadas por assassinato e eles estavam errados. Isso é errôneo. Então não é algo tão amplo como “Nós aceitamos pena capital e isso é bom!” 

DS: “Mate-os todos!” [Risos]

PG: Certo! Mas existem certas situações onde isso seria apropriado. Digamos, quando Colin Ferguson atirou em todas aquelas pessoas. Não deveria absolutamente haver nenhum tempo perdido naquilo.

DS: Mas deveria ser o governo fazendo isso?

PG: Eu acho que o governo pode ter a habilidade, mas sob controle. Precisa ser com freios e contrapesos. Essa saudável idéia nos Estados Unidos que veio de tantas outras formas de governo é algo que sentimos ser necessário. Não queremos algum tipo de governo megalomaníaco com poder absoluto que pode fazer qualquer coisa à vontade a seus cidadãos. Satanistas são geralmente libertários. Eles podem escolher suas alianças políticas específicas por que isso pode ajudar o que quer que eles estejam tentando fazer em suas vidas, mas essencialmente a maioria de nós é claramente de pessoas libertárias. Nós gostaríamos de ter o governo tão mínimo quanto possível.

DS: Vocês têm 10 Mandamentos?

PG: Nós temos as 9 Declarações Satânicas, mas nós não temos mandamentos que sejam leis que sejam como pecados. Nós temos 9 pecados que são como comportamentos que não queremos ter. Para nós, tentamos criar uma situação em que tenhamos alguma interação com pessoas que sejam benéficas para nós. Mas não estabelecemos esses tipos de leis em que alguém vai punir você. Então, com o Satanismo elas são coisas em que você se bate e diz, “Por que eu fiz algo estúpido? Eu não devo fazer isso da próxima vez.” É melhor para você. Nesse nível não importa a ninguém mais: você não pode ser um burro.

DS: Existem certos sítios ou lugares que são importantes para a Igreja de Satã?

PG: Não, nós realmente não temos nenhum solo sagrado ou alguma coisa como essa. Para o satanista, se existe algum de arquitetura que você gosta, ou um lugar que você gosta de visitar—algumas pessoas gostam de lugares com temática demoníaca ou onde existe interesse histórico. Mas não existe nada particularmente satânico sobre nenhum lugar.

DS: Nenhum lugar com significado natural?

PG: É o universo. Nós olhamos para ele como Carl Sagan e somos poeira de estrelas, somos feitos da poeira de estrelas explodidas. Nós satanistas olhamos o universo nesse maravilhoso contexto de que somos parte e isso é realmente excitante. Nós não precisamos separar alguma parte especial disso a não ser que você ache um lugar de que você realmente goste. O lugar onde você nasceu, talvez. Ou o lugar onde você cresceu. Algumas pessoas são interessadas em uma figura histórica e citam o lugar onde um castelo foi construído ou uma batalha em particular foi travada, ou algum indivíduo teve o último momento.

DS: Se alguém quisesse explorar suas crenças, o que deveria ler?

PG: A Bíblia Satânica é por onde começar, por que essa é literatura fundacional da organização. Todos os livros de Anton LaVey valem a leitura. A Bruxa Satânica é seu compêndio de magia inferior, que é nosso conceito para como você manipula pessoas em uma base diária para fazê-las fazer coisas em seu favor. É apropriado para mulheres por que nós pensamos que é bom para mulheres usar sua sexualidade para conseguir o que elas querem. É parte da natureza, então vá em frente! Vista-se para o sucesso! Mas serve para rapazes, também. O que quer que você tenha para fascinar as pessoas. Glamour é vantajoso, então A Bruxa Satânica é útil para isso. Ele tinha coleções de ensaios, também, e Os Rituais Satânicos é mais para um ambiente formal, onde diferentes culturas foram examinadas para ver que tipo de imagens diabólicas elas tinham. Rituais podem ser divertidos de fazer em um ambiente de um grupo grande, mas eles não são algo que você tem que fazer. Tem um russo, tem um francês, tem um alemão. Tem uma Missa Negra—com o que se pareceria isso? No Satanismo uma Missa Negra não é alguma coisa que estamos apressados e ansiosos para fazer por que, pelo que sabemos, a Cristandade é um cadáver, a não ser que em sua vida você sinta que teve essa realmente negativa influência que você precisa remover, é apenas um tanto sem sentido.
E meu livro, As Escrituras Satânicas, vale a leitura, por que então você terá o livro que vem dos mais de quarenta anos de existência da Igreja de Satã.

Sobre eventos atuais e política

DS: Eu gostaria de dar a você algumas situações políticas e perguntar como um satanista lidaria com elas.

PG: Tudo bem, mas eu gostaria de prefaciar essa e dizer que nós não determinamos os antecedentes políticos das pessoas. Nós sentimos que cada satanista que é membro da igreja deve tomar essas decisões baseado em seus próprios valores pessoais, então pode haver um amplo espectro de respostas dependendo das pessoas com quem você fala, seja em aborto, decisões governamentais de ir à guerra...

DS: Você pode falar por você então, se você fosse presidente—

PG: —[Risos] —

DS: —Como você lidaria com a questão Israel-Palestina?

PG: Eu não tenho uma solução para isso. Se eu tivesse, eu estaria por aí falando às pessoas sobre isso, por que eu realmente não me vejo como um político ou árbitro das interações das pessoas umas com as outras. Eu posso ver que existem questões nos dois lados da cerca e que quando as pessoas estão lutando por um território, falando genericamente os povos que têm o poder vencem e então eles escrevem as histórias e o mundo vai adiante. Mas nós temos uma situação onde existem grandes jogadores por trás das nações pequenas e isso mantém o conflito persistindo. Então ou eles vão ter que ter compromisso e discussão, ou um lado vai ter que destruir o outro lado e “vencer” e ir adiante, o que é usualmente do jeito que o mundo funciona.

DS: Onde eles violam princípios satânicos nesse conflito?

PG: Cada um tem seus próprios objetivos. Eu diria que matando pessoas que são apenas povo inocente, isso é contra a filosofia satânica. Terrorismo, especificamente, é contra o Satanismo por que nós sentimos que justiça é importante, e isso é dar às pessoas o que elas merecem. Explodir alguém que está apenas passando não é uma abordagem justa. É algo contra o contrato social, e nós deveríamos nos opor a pessoas engajadas em terrorismo.

DS: E quanto ao casamento de pessoas do mesmo sexo?

PG: O apóio absolutamente.

DS: Aborto?

PG: Eu acho que as pessoas deveriam praticar controle de natalidade a usar aborto como um caminho fácil; De novo, o conceito de ser responsável por si mesmo e não engravidar à vontade a não ser que você esteja realmente interessada em levar adiante a criança. Como nós temos superpopulação falando de forma geral, acho que aborto é algo bom de ser usado, mas eu acho que ele não deveria ser usado como um meio de consertar a atividade sexual irresponsável das pessoas.

DS: Por que você não considera isso apenas outra operação? Algumas pessoas correm ou se exercitam sem saber seus limites e distendem um músculo e precisam de uma operação para isso.

PG: Eu olharia isso como se eu fosse o feto, eu não ia querer ser extinto. [Risos]

DS: Então o feto é um ser consciente?

PG: Não necessariamente, é apenas um pedaço de tecido e a maioria da vida humana realmente não tem esse valor todo em uma grande escala. No universo, a vida individual é praticamente insignificante, é apenas como gotículas em uma onda que batem em uma pedra. Quem se importa com gotículas? O jeito que a vida funciona é fazer grandes quantidades de espécies de o que quer que seja, e mantê-los se movendo biologicamente. Eu apenas pensaria que se fosse eu como feto, eu teria potencial de me tornar a pessoa que sou. Eu não gostaria de ser extinto.

DS: Quando você pensa que a vida começa?

PG: A vida está lá, se ela é consciente ou valiosa é discutível.

DS: Você quer dizer que apenas em um nível celular ela está funcionando?

PG: Sim, é vida. Espermatozóides e óvulos estão vivos, são orgânicos, você não pode dizer que não é vida. Mas o que eu acho que você está procurando é pela idéia que os cristãos querem dizer com concepção. Se as pessoas querem fazer abortos, isso realmente não me aborrece, eu apenas seria realmente mais responsável. Apenas faz mais sentido. Contracepção é fácil!

DS: Muitas pessoas não gostam de contracepção.

PG: E muitas pessoas são tapadas e irresponsáveis, então—

DS: Mas então responsabilidade não é reduzida a algo definido por você mesmo no Satanismo? Suas declarações parecem se reduzir a um patamar de o que é responsabilidade? O que é inocência? Enquanto que você estava dizendo antes que muitas dessas coisas são auto-referencialmente definidas.

PG: Certo, certo. Nós deixamos as pessoas fazerem a definição elas mesmas, absolutamente. Mas para mim pessoalmente, você tenta lidar com outras pessoas à sua volta então você não faz suas vidas miseráveis a não ser que exista alguma verdadeira razão predominante para que isso fosse acontecer.

DS: Quem você está apoiando para presidente?

PG: Ninguém, ainda! [Risos] . Agora mesmo, não existe realmente um candidato que fale a mim mais que os outros. Eu geralmente sinto que tantos candidatos estão deficientes em tantos sentidos, que realmente É o menor de vários males que você está escolhendo. Eu gosto da velha camiseta Lovecraftiana “Cthulu para Presisdente! Por que escolher o menor de dois males?” [Risos]

DS: Se você tivesse uma escolha entre Giuliani e Clinton?

PG: Eu provavelmente iria com Hillary Clinton. Giuliani estava agindo como um fascista antes do 11 de setembro. Ele estava tentando usar seu Catolicismo para controlar arte que era exibida nessa cidade. Isso era inacreditável! Sua popularidade estava realmente baixa. Não foi até o 11 de setembro que ele se posicionou e fez coisas que eram necessárias para ser um líder e fazer as pessoas se sentirem mais confortáveis que seus índices subiram de novo, mas ele realmente não era alguém que era bem lembrado até então.

DS: Se fala mais sobre isso agora do que se costumava falar.

PG: Tinha que ser agora que ele está concorrendo a presidente. As pessoas precisam mencionar isso! 

DS: É uma questão de como isso vai penetrar na consciência americana que o mitificou.

PG: É isso: ele realmente foi tão mitificado naquele momento. Nós construímos heróis, e muitas pessoas realmente lidam com retratos idealistas e não com realistas. Nós temos que examinar essas coisas todo o tempo e ser cuidadosos.

Símbolos Religiosos e Satânicos

DS: Poderia explicar seu logo?

PG: O Sigilo do Baphomet. O pessoal do heavy metal diz “Bapho-Mê!” Por que eles querem imitar os Templários Franceses, de onde ele originalmente veio, dos julgamentos deles. Mas nós explicamos como tendo uma face de bode no centro de uma estrela de cinco pontas. A face de bode representa a carnalidade. No Egito Antigo bodes eram considerados representações como deuses da luxúria, e nós achamos que luxúria é um fator importante da biologia que mantém a humanidade em movimento, então nós a valorizamos. A estrela de cinco pontas realmente vem dos Pitagóricos. Essa é a figura em que cada elemento está dentro da proporção áurea de outro. É esse maravilhoso símbolo matemático de perfeição, perfeição orgânica especificamente. Como somos vida orgânica e apreciamos a idéia de nos aperfeiçoarmos, essa estrela é certa para nós lá e ela acomoda perfeitamente a face de bode dentro dela. Agora em volta dela estão dois círculos, um nas extremidade das pontas da estrela e um fora. Nesse estão caracteres hebraicos começando no topo e indo no sentido anti-horário dizendo Leviatã. Na mitologia hebraica, Leviatã era o grande dragão do abismo, essa poderosa figura da Terra que até mesmo Yahweh temia. Então todas essas coisas postas juntas criam o símbolo que Anton LaVey identificou com o Satanismo especificamente. Quando começamos a Igreja de Satã, usualmente cruzes de cabeça para baixo eram consideradas satânicas, e ele viu  esses diferentes elementos e sentiu que esse era um símbolo positivo que você podia ligar ao Satanismo que ele estava criando.

DS: Tanto da simbologia se refere a um monte de mitos e superstições, ainda que vocês sejam antitéticos a isso. Como você explica como essas duas noções se comportam?

PG: Nós temos essa abordagem de pegar as dualidades e achar um terceiro lado delas, uma maneira de integrar. Você pode achar isso até na teoria Marxista, uma maneira de achar opostos e vir com uma nova síntese das diferentes teses e antíteses. Então ritual é natural para as pessoas, por que humanos tem uma consciência conceitual. Símbolos nos deixam reter muito mais informações no foco consciente, mais assim do que simplesmente pegando-as separadamente. Então símbolos são algo com que nós funcionamos. É parte de nossa natureza. Então usando atividades rituais que são simbólicas e têm significado profundo para nós é comum à nossa espécie, se você olhar nossa história das pinturas nas cavernas até cada civilização que existe atualmente.

DS: É quase difícil surgir um símbolo que não se refere a uma superstição de alguma forma. 

PG: Absolutamente! Então nós sentimos que já que eles são usados para apoiar uma ficção, por que não deixá-los serem usados para explorar a parte interior de nossa natureza? Para nós, quando fazemos ritual—a qual chamamos magia superior—nós chamamos isso de câmara de descompressão intelectual. É um lugar onde nós soltamos nossas emoções, quaisquer emoções que estejam nos atrapalhando, e nós usamos o simbolismo que acharmos mais estimulante. Deixamos a câmara ritual. Você aprecia o psicodrama auto-transformador no ritual em que você solta quaisquer emoções que o estão atrapalhando e então você sai e basicamente segue sua vida, sendo racional e fazendo o que você precisa fazer para tornar sua vida tão rica quanto ela pode ser.

A Guerra do Iraque: Uma Perspectiva Satânica

DS: Você acha que nossa busca na Guerra do Iraque é um exemplo de matança de pessoas inocentes?

PG: Oh, com certeza pessoas inocentes estão sendo mortas em quase toda guerra. Não interessa se é apenas o Iraque, por que existem populações civis que são pegas no meio dessas pessoas com planos, e esses civis só querem viver suas vidas.

DS: Quem são os inocentes?

PG: Não estar envolvido no conflito em particular. Se você está apenas vivendo sua vida e fazendo o que precisa fazer para sobreviver, tem um emprego, levando comida para sua família; isso é ser uma pessoa inocente.

DS: Como a guerra no Iraque afetou sua visão de mundo?

PG: Não mudou sequer. Eu a vejo como comportamento humano usual. A História é cheia de agressores. O Iraque para mim é um lugar interessante onde existia um totalitário mantendo sob controle facções religiosas, e agora que esse tampão foi removido, as facções religiosas querem destruir uma a outra. Eu acho que é uma lição para a maioria das pessoas dizer: olhe para como essas religiões são importantes para pessoas que estão sempre olhando para cima de si mesmas para serem reguladas, e eles acharam um regulador  terreno em Saddam Hussein, e agora que esse regulador que realmente existia se foi, elas estão olhando para suas próprias interpretações de suas próprias divindades e querendo massacrar um ao outro. Isso só mostra o quanto o fanatismo fundamentalista pode ser, o qual para mim é a coisa mais perigosa em toda a sociedade humana.

DS: Ele é o que você considera a maior ameaça a humanidade?

PG: Sim, qualquer fanatismo fundamentalista é uma vasta ameaça. Estou em busca de que a humanidade tenha uma cultura secular, pluralista. As pessoas deviam poder seguir quaisquer fantasias ou religiões que elas queiram, desde que elas não as imponham a outras pessoas e forcem outras pessoas a fazerem coisas baseadas em qualquer tipo de escritura sagrada que elas tenham. Então, a maior ameaça a isso são esses fundamentalistas que querem forçar as pessoas para dentro de seus sistemas de crenças. Eles querem destruir pessoas que têm atividade sexual que eles não acham que é apropriada de acordo com seus textos. Será interessante ver no futuro se as pessoas vão acordar para essa ameaça e decidir de alguma maneira encurralar esse tipo de comportamento, desarmar pessoas como essas que estão basicamente em uma jihad, sejam elas cristãos ou muçulmanos ou qualquer outra religião, por que já vimos que no passado os católicos estavam torturando pessoas até a morte na Inquisição, então a Reforma aconteceu e diferentes denominações e seitas estavam matando umas às outras. Hereges estavam sendo mortos. Então isso não é uma coisa de que apenas uma religião seja culpada.

Sobre Nova York

DS: Como você se sente sobre Hell’s Kitchen, onde você vive, sendo chamada Clinton?

PG: Eu desprezo isso. Deveria continuar o que realmente é, e isso é  Hell’s Kitchen.

DS: Quando você vê como Nova York está mudando a sua volta—morei aqui por quase sete anos, e quando mudei para cá estava muito diferente.

PG: Eu gosto da sordidez, gosto da história, gosto de ver Nova York sendo esse espetacular leque do máximo e do mínimo e eu não acho que Nova York deveria ser limpa e Disneyficada.

DS: Mas ela está.

PG: Está chegando lá. Eu fiz uma Missa Negra para a BBC no antigo Hellfire Club, e ele se foi e a Apple  está pondo uma loja naquela vizinhança. [Risos] Todos se sentem seguros andando em volta todo o tempo agora. Existem ainda algumas partes de Chinatown que ainda são bem barra-pesada.

DS: Para onde você acha que a cultura está indo? A versão sanitizada está aqui para ficar?

PG: Não, por que se você olhar para qualquer coisa que em um momento era sórdida, em um momento estava nova e limpa e maravilhosa. Então, em um momento, Nova York é Manhattanland, é para turistas e nós fizemos da coisa toda esse simulacro quase Las Vegas. Mas isso vai mudar. Assim que o não valer mais a pena bombear dinheiro para manter a fachada, toda a barra-pesada em volta das bordas vai rastejar de volta pra dentro. Ainda está aqui, apenas se esconde durante o dia. Ainda existem todos os tipos de crimes estranhos acontecendo na cidade quando você assiste às notícias.

DS: Você vê que todas as cidades do Rust Belt, Reading, Pennsylvania era uma das cidades mais perigosas em que andei, e eu pensava, “Isso é como sentir o que a Nova York de 1982 deve ter sido.”

PG: Sim, eu me mudei para Nova York em 1980—era bem barra-pesada! [Risos] 

DS: Um amigo meu uma vez em disse que se você pegasse alguém da Nova York de 1982 e o transplantasse para a Nova York de 2007, a primeira coisa que ele diria é, “De onde vieram todas essas pessoas?!” Que as ruas costumavam ser desertas naquele tempo.

PG: Eu estou assim também. Onde eu vivo minha vista do pôr-do-sol se foi por que duas novas torres de luxo foram erguidas. Eles estão construindo duas outras adicionais. Eu não sei quem essas pessoas são ou onde eles arrumam todo o seu dinheiro, por que eles estão cobrando 6000 dólares por mês por esses apartamentos, e estou pensando quem está gastando todo esse dinheiro e andar pela cidade é como uma avenida de pedestres que podia estar em qualquer tipo de subúrbio.

Marilyn Manson

DS: Marilyn Manson é um membro?

PG: Sim, ele é um membro a quem foi dado um sacerdócio honorário. Quando perguntado sobre o que o Satanismo é ele pode ser muito articulado em explicá-lo. Mas sua música é sua própria arte. Seus shows são seus, e eles não exemplificam realmente o Satanismo em particular.

DS: É mais como um personagem.

PG: Sim, ele criou um personagem. Nós dizemos que as pessoas esquecem sobre as ortodoxias do passado, alguma coisa que foi culturalmente popular ou penetrante em um momento ou outro, as pessoas esquecem dela. O que Brian Warner fez foi que ele olhou para David Bowie e Alice Cooper, recriou e os re-embalou, e fez uma fortuna.

DS: Ele é um membro ativo?

PG: Ele é um sacerdote honorário, mas ele faz sua própria coisa. Se perguntado sobre nossas filosofias, ele pode explicar. A coisa interessante é que quando saiu seu primeiro álbum nós dois nos conhecemos em um painel que estávamos fazendo sobre racismo na música que estava sendo patrocinado pela Seconds Magazine. Ninguém sabia quem Brian Warner era naquele tempo, e ele veio até mim e me deu um CD e ele estava todo caracterizado. Mas ele disse “Eu ouvi sobre você e queria conhecê-lo,” então nos afastamos e falamos por pouco tempo e eu entendi que ele realmente tinha entendido o Satanismo. Eu disse a Anton LaVey que esse cara era bem esperto e esse truque ia dar certo, é astuto. Ele está usando essa combinação de serial killer e estrela de Hollywood e ele é um cara esperto e criando sua própria persona provavelmente vai ser um sucesso. Ele decolou imediatamente e quando Marilyn Manson estava fora em tour na Califórnia ele perguntou se ele poderia encontrar Anton LaVey e ele estava impressionado. Ele é realmente um cara doce e sincero, que não tem nada a ver com o que todo o mundo vê apenas em seu número e sua arte.

Sobre a igreja após Anton LaVey

DS: A Igreja de Satã tem relações com outras igrejas?

PG: De modo algum. Não somos ecumênicos.

DS: Parece que existem pagãos ou religiões humanistas que seguem sua filosofia em geral.

PG: Eu não diria isso. A maioria das religiões pagãs é teísta em um nível ou outro. Eles geralmente pensam que suas divindades existem em alguma parte. Nós não acreditamos que Satã existe como uma divindade. Eu acho que existem alguns pagãos que olhariam para seus Deuses e Deusas com arquétipos apenas, e nesse sentido seria próximo de nossa posição por que você pode olhar para o símbolo de Satã como um arquétipo. Mas, nós geralmente não sentimos que temos qualquer relação com qualquer tipo de organização religiosa.

DS: Qual é o número de membros da Igreja de Satã?

PG: Nós nunca damos números. A razão é que nosso fundador trouxe isso e eu concordei em manter essa política. Se as pessoas pensarem que existem muito poucos de nós, eles tendem a não querer nos levar a sério. Se pensarem que existem muitos de nós, eles pensam que somos uma ameaça. Houve mesmo um momento antes, durante o Pânico Satânico no final dos anos 1980 e início dos 1990, quando houve uma legislação governamental proposta para banir o Satanismo por que eles pensaram que haviam todas aqueles metal heads lá fora sacrificando bebês, usando drogas e produzindo pornografia infantil. Com certeza, agora nós sabemos, eram principalmente cristãos evangélicos indecisos fingindo, mas acusando os membros de sua própria família e os botando na cadeia, ou agindo como terapeutas e a maioria dessas pessoas foi processada e propriamente censurada desde então.

DS: A igreja tem prosperado após a passagem de LaVey?

PG: Ela tem. Parcialmente por que estamos tirando vantagem da tecnologia com a Internet e a mídia global, nosso website recebe centenas de milhares de visitas por dia, a literatura continua sendo traduzida em muitas línguas diferentes pelo mundo. Meu próprio livro, As Escrituras Satânicas em capa dura saiu em abril e deve sair em brochura esse mês. Eu já tenho cinco línguas diferentes a caminho e estou negociando para outras. Estamos prosperando, temos muitos membros.

DS:Sobre o que é seu livro?

PG: É uma coleção de meus ensaios que escrevi durante os últimos vinte anos falando sobre filosofia satânica, como ela é aplicada. Eu falo sobre música, pois sou por treinamento um compositor, fui à NYU. Tenho um bacharelado e um mestrado em composição musical, principalmente focado em trabalho orquestral. Uma concepção que quis dissipar no livro é o estereótipo de que Satanismo é sempre associado com Metal e a voz gutural. Isso é Satanismo? Não.

DS: Não soa bem Gene Loves Jezebel.

PG: Não. Música satânica é específica para cada pessoa. Então, para mim, música satânica é a sinfonia, a qual para mim é a mais alta forma de arte. Então Beethoven, Mahler, Bruckner, Shostakovich — para mim essa é uma das mais satânicas músicas jamais escritas por que a arquitetura está lá, a expressividade está lá, a reflexão sobre a condição humana está toda presente e não é idealista. É principalmente questionado ou mostrando o que um humano é capaz de fazer. E eu amo arquitetura. Catedrais são maravilhosas. Não tenho nenhum ódio delas por que são postas em uso religioso. Elas têm símbolos nelas, mas eu sei que são apenas símbolos. Eu amo arranha-céus também.

Os filhos de Anton LaVey e seu espólio

DS: Os filhos do Dr. LaVey têm alguma coisa a ver com a Igreja de algum modo?

PG: Seu filho Xerxes é um membro por que ele pediu para ser. Nós geralmente não deixamos pessoas menores de 18 entrarem. Nós costumávamos deixar pessoas cujos pais permitiam que entrassem, mas por que as pessoas são tão litigiosas, nós mudamos isso. Apenas não queremos que tenha chance de alguns pais dizerem, “Sim, tudo bem se meu filho entrar para a Igreja de Satã,” e então decida que isso é a razão pela qual não podem controlar suas crianças. Apenas não estamos dispostos a ir até esse ponto. Mas se nossos membros têm crianças que estão interessadas, elas podem participar e se tornar membros, mas essa é a única maneira que você pode se você não é legalmente um adulto. Então, Xerxes poderia se tornar um membro por que sua mãe foi uma Alta Sacerdotisa por um tempo, e ainda continua membro.

DS: Mas não Zeena?

PG: Não, ela saiu anos atrás. Ela não é muito brilhante e é muito ciumenta. Ela e seu amante, Nikolas Shreck, se casaram, eu acho. Eles queriam tomar o comando da Igreja de Satã em certo ponto e queriam que Anton LaVey se aposentasse, mas ele era um cara tenaz e disse “Não mesmo!” Então eles desistiram com muito ressentimento, saíram para a Europa e disseram, “A América é corrupta e horrível e nós estamos indo para a Fortaleza Europa!” Eles brincavam de ser ocultistas nazistas, o que é meio engraçado por que os dois tem sangue judeu. Eles são como palhaços. Eles entraram para o Templo de Set, que era uma organização que se separou da Igreja de Satã anos atrás, em 1975, quando Michael Aquino — 

DS: Baseado no deus egípcio?

PG: Sim, e eles são teístas. Eles acreditam que Set existe e que seus sacerdotes podem comungar com ele e que seu fundador é a voz de Set. Logo, é bom que tenham saído para a limpeza da casa. Mas Zeena veio, se juntou a eles e se tornou Alta Sacerdotisa por que Michael Aquino tem essa obsessão com Anton LaVey, a qual é óbvia pois ele escreveu um livro sobre ele que é de por volta de mil páginas, por isso ele a fez a Alta Sacerdotisa de sua organização. Então ela saiu para formar um grupo Setiano ainda mais ortodoxo chamado “The Storm”(N.T.: “A Tempetade” em inglês), o que para nós é apenas engraçado. Tanto drama. Sua filha mais velha Karla não é uma garota muito brilhante. Ele meio que passava o tempo nos bastidores e de vez em quando ela saia para falar em público e apoiar seu pai. Quando Xerxes nasceu ela meio que se aborreceu por que ela não era o centro da atenção. Karla é também do tipo ciumenta. Ela se afastou de seu pai, o que o magoou muito.

DS: Como a disputa legal em volta do espólio dele se resolveu?

PG: Eles finalmente resolveram. O que terminou acontecendo é que ele escreveu um testamento. A idéia de Anton LaVey era que se ele reconhecesse que estava para morrer, então ele estaria se submetendo à morte, por isso ele não quis ir a um advogado e fazer um testamento. Ele era muito tenaz e tinha sua  própria perspectiva sobre isso. Então ele finalmente escreveu um testamento e o assinou, mas ele não foi autenticado e não existiram testemunhas. Por isso, quando foi ao tribunal eles disseram que não era bom o bastante. Eles basicamente dividiram tudo entre os três filhos, então Karla, Zeena e Xerxes têm todos parte do espólio.

DS: Quem recebeu os direitos autorais de A Bíblia Satânica?

PG: O espólio. O dinheiro que vem dela é dividido e vai para os três filhos. Também existe uma pequena porcentagem que vai para a companheira de LaVey, Diana Hegarty, ela diz LaVey. Mas eles nunca foram casados e romperam no início dos anos 1980. Ela partiu e deixou o Satanismo e o processou por uma pensão e ele teve que vender sua casa por causa disso tudo, e ele a vendeu para um velho amigo e membro. Diane conseguiu um monte de dinheiro e uma pequena porcentagem dos livros que tinham sido escritos até então. De vez em quando ela vem rastejando para fora da periferia para dizer, “Ah, eu sou Diane LaVey!” e é como: você foi Diane Hegerty e você esteve meio que envolvida nisso, mas antes do Pânico Satânico acontecer você saiu e não teve nada a ver com isso. Então ela nunca foi alguém que escreveu ou disse alguma coisa de interesse. Ela era apenas a esposa loira bonita de Anton LaVey. Ela era uma figura decorativa legal, mas não era de muito uso além disso.

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